Inovação

A semente da Inovação deve ser plantada

Pode me chamar de indelicado, mas já vou começar este meu artigo propondo um desafio: você sabe me dizer o nome de três jogadores de futebol famosos? Não, nem vou citar um ou outro goleador aqui. É praticamente impossível alguém neste Brasilzão não conhecer pelo menos um nome futebolístico, seja da atualidade ou do passado.

Pode ampliar a minha classificação para chato ou indelicado ao quadrado, mas vou fazer um segundo desafio: você seria capaz de citar três nomes de cientistas brasileiros famosos? Nessa hora, tenho quase certeza que aquele famoso barulhinho de grilo cri – cri – cri está passando pela cabeça da maioria dos leitores que ainda estão por aqui.

Não quero causar desconforto em ninguém, mas apenas mostrar uma realidade tão triste e tão brasileira: sabemos mais de futebol do que das coisas da Ciência, e menos ainda da Ciência tupiniquim. Já ouvimos falar de Charles Darwin, Albert Einstein, Louis Pasteur, Stephen Hawking, mas pouco sabemos sobre César Lattes, Milton Santos, Carlos Chagas, Duilia de Mello ou Marcelo Gleizer, por exemplo.

Não, não se sinta culpado. Isso acontece com você e com centenas de milhares de brasileiros. Basta sair às ruas, pegar um ônibus, ouvir uma rádio, assistir a um telejornal ou mesmo acessar os principais canais de comunicação ou redes sociais na internet. Os assuntos Big Brother, campeonato brasileiro, Champions League dominam as conversas nas ruas.

Antes de continuar e que o pessoal do Esporte me critique, preciso abrir um parênteses e dizer que quando faço esse comparativo entre conteúdo científico e conteúdo esportivo, é apenas ilustrativo. Alguém pode argumentar ‘ah, mas há ciência envolvida no material esportivo’. E eu concordo. A Ciência está presente em muitos assuntos do nosso cotidiano.

Há ciência no conteúdo esportivo sim, nas táticas dos times, nas reportagens de saúde dos atletas, nas tecnologias implantadas para verificar o desempenho dos jogadores em campo ou até mesmo no VAR (Video Assistant Refereea), tecnologia que tem sido usada para apoiar as decisões dos árbitros e que tem causado tantas alegrias e tristezas. Então concordamos neste ponto: há conteúdo científico no material jornalístico, mas acredito que ainda é muito pouco e poderia ser bem maior, caso o público cobrasse esse tipo de informação mais apurada.

Uma pesquisa que fiz em 2009 e 2010 em 15 jornais do interior do Estado de São Paulo mostrou que apenas duas matérias apresentavam conteúdo científico dentre as 1673 reportagens esportivas publicadas por esses 15 jornais. Como disse, é pouco. A Ciência poderia estar bem mais presente em nosso dia a dia.

Isso mostra que temos uma Cultura que não contempla a Ciência. Grosso modo, a Cultura de um povo é aquilo que determinada sociedade tem como hábito. Passa pela culinária, pela língua, pela apreciação artística, literária. E nossa Cultura apresenta pouco espaço para aprendermos sobre Ciência, Tecnologia e Inovação porque sempre foi assim. E se nada for feito, nada vai mudar.

Importante termos consciência do atual cenário e termos a certeza de que podemos mudar. E isso é algo muito difícil, afinal, não se muda uma Cultura da noite para o dia. Pelo contrário, leva tempo, investimento e perseverança.

A literatura nos mostra que não há um grupo de tópicos a serem seguidos para mudar uma Cultura de todo um País que nos dê a certeza de que tudo vai dar certo. Há coisas que deram certo em um lugar e errado em outro. E vice-versa. Mas o que há de comum nas experiências exitosas é que houve investimento na Educação.

E a Universidade de Sorocaba tem contribuído para plantar essa semente da Educação e mudar a Cultura de nosso povo, melhorando o conhecimento e a informação consumida pelos brasileiros.

Em toda sua história, a Uniso sempre foi referência na formação das pessoas (foram mais de 50 mil até o final de 2020) e, de uns anos para cá, a Universidade tem levado o conhecimento científico à população por meio do jornal tabloide Uniso Ciência e pela revista Science @Uniso, tirando a produção científica das prateleiras acadêmicas e levando o conhecimento para dentro dos lares.

É preciso plantar e a Universidade de Sorocaba já está semeando há tempos. Agora dá mais um passo, criando o Uniso Tech, um ambiente que pretende abrigar conhecimento e dar suporte às boas práticas e iniciativas. De ser ponte entre a teoria e a prática, fazer se encontrarem as pessoas que têm ideias complementares, mas não se enxergam no dia a dia e colocando seu pessoal e seus laboratórios para serem usados em busca de inovações.

Pois de uma Nação que não tem o hábito de pensar, praticar e consumir Inovação não dá para cobrar práticas inovadoras. Como vimos, não dá pra cobrar conhecimento das coisas das Ciências de uma sociedade que não tem o hábito de ler, ouvir, assistir ou receber informação sobre esse assunto.

Um resultado exitoso disso tudo pode não chegar tão rápido, mas certamente virá e, quando chegar, a universidade comunitária da região de Sorocaba, a Uniso, poderá se orgulhar de ter semeado a Cultura Científica e Cultura da Inovação e participado de todo esse processo de mudança e melhoria de toda sua comunidade.

Marcel Stefano

INOVAÇÃO E SAÚDE

Entre os anos de 1914 e 1918, durante a primeira Guerra Mundial, um jovem médico trabalhava no front de batalha como cirurgião do exército Inglês. Seu nome era Alexander Fleming. Sua grande frustração durante a guerra era não poder curar as infecções provocadas nos soldados; ele apenas lavava as feridas com ácido carbólico sem nenhum resultado. Ele costumava dizer que na Primeira Guerra Mundial as feridas ceifaram mais do que as balas.

Ao fim da guerra, inconformado com o que vira e sem nenhuma opção de tratamento, decidiu buscar uma nova terapia para essas infecções. De volta ao seu laboratório, no St. Mary Hospital em Londres, passa a dedicar sua vida em busca de um novo tratamento. Em 1928, dez anos após o final da guerra, por descuido e por acaso, uma de suas placas de Petri contendo bactérias contamina-se com um fungo. Ele nota que ao redor do fungo nenhuma bactéria cresceu e, então, cogita que o fungo poderia produzir alguma substância que inibisse o crescimento ou mesmo que matasse a bactéria. Ele, então, isola o fungo e identifica-o como Penicillium notatum. Estava descoberta a penicilina, inaugurando a era dos antibióticos e revolucionando a história da medicina, tornando-se certamente o grupo de fármacos que mais vidas salvou durante toda a história da humanidade.

Movido pela necessidade de encontrar uma solução para o seu problema, incentivado pela curiosidade natural dos homens e mulheres cientistas, Fleming dedicou-se até encontrar o que buscava.

De forma muito semelhante, o brasileiro Gabriel Liguori, acometido, aos 2 anos de idade, por uma má formação cardíaca, passou boa parte de sua infância entre hospitais e cirurgias.

Inconformado, assim como Alexander Fleming, Gabriel estudou medicina da USP em São Paulo, especializou-se em cardiologia e então fundou a TissueLabs, startup que desenvolveu tecnologia para impressão de órgãos e tecidos em impressoras 3D. Ainda longe de chegar à perfeição, mas no caminho certo, Gabriel foi escolhido pelo Instituto de Tecnologia de
Massachusetts (MIT) como um dos inovadores até 35 anos mais promissores no mundo todo. Nessa mesma escolha do MIT já estiveram presentes Mark Zuckerberg (Facebook) e Larry Page (Google).

Histórias de dificuldades e propostas de superação, assim surgem inovações na área da saúde. Olhe o problema sob uma ótica diferente, não o trate como uma barreira instransponível, mas enxergue no problema um desafio e proponha algo que até então poderia parecer pouco convencional. As inovações são uma mistura de oportunidade, criatividade e trabalho. Foque
nesses três componentes e dedique-se a fazer diferente. Encontre a oportunidade na necessidade, use criatividade inovando e trabalhe dedicando-se ao seu projeto.

Faça. Faça de novo. Faça o novo.

Fernando de Sá Del Fiol

Inovação

A inovação é tema presente e recorrente nos dias atuais. Entretanto, não é difícil entender e reconhecer que nunca foi diferente; praticamente toda a evolução humana tem sido baseada na inovação, desde os tempos mais remotos.

O domínio do fogo, por exemplo, a partir da inovação criada pela manutenção do fogo, num primeiro momento, e, depois, pela sua produção, foram fundamentais para o desenvolvimento da espécie humana e pela dominância que esses frágeis animais conseguiram em relação aos demais.

Falando sobre hoje, a inovação implica agregação de valor, buscar melhorias em todos os processos, considerar as necessidades da cadeia produtiva (que envolve todas as relações cliente-fornecedor), sem deixar de considerar o meio ambiente como o maior de todos os fornecedores e, naturalmente, reconhecer a sua finitude.

Então, a inovação dependerá sempre de uma ampla visão sistêmica e de muito, muito esforço mesmo para que a criatividade encontre um terreno fértil para se desenvolver. E a criatividade envolve pensar, testar, analisar, repensar, reanalisar, retestar, num ciclo sem fim, em busca da superação de fragilidades, da maximização da relação custo/benefício, da maximização do valor para o cliente e das oportunidades, sempre com atenção à sustentabilidade ambiental.

A universidade, por sua vez, é o lugar onde isso tudo pode acontecer, vinculando o compartilhamento e a produção do conhecimento às aplicações, à luz das necessidades da sociedade. É na universidade que a teoria e a prática se materializam uniformemente, gerando oportunidades de melhorias na qualidade de vida das pessoas.

Rogério Profeta

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